NATAL SEM LUZ, PARTE V

  Enzo estava cansado de toda essa jornada.

      Muita gente se pergunta sobre destino e livre-arbítrio, sobre sua essência, seu papel no mundo. Era o papel dele buscar algo, salvar alguém? Enzo já não se importava com isso. Caiu de joelhos, teve dificuldades para respirar e colocou a cabeça entre as mãos entrelaçadas. Seu corpo enrijeceu-se, não controlava mais a si mesmo: abriu a boca e começou a gritar, a gritar e gritar mais e mais alto, até perder a consciência e enlouquecer.

         E ali caiu nosso herói, sem forças nem ninguém para o levantar. E sim, assim termina nossa história. Você pode reclamar, então, por que afinal seguimos a história dele até aqui…

        Quando olhamos para o passado com certa distância (alguns milhares de anos, talvez) é aparente haver uma certa harmonia na história, um certo caminho que é percorrido, um destino. Afinal, é a história de Alexandre ou de Catarina (para ficarmos nos maiores) que faz a história caminhar; é pela vida deles que a vida dos outros é comandada, é pela vida deles que a dos outros é contada.

        É aparente que este narrador também esteja enlouquecendo, mas, antes de nos separarmos, visualize a si mesmo sentado em uma cadeira durante uma missa; imagine que uma bala perdida o atinge na cabeça no exato momento em que a hóstia é levantada. Em um segundo você olha para a hóstia e no outro, nada. Simplesmente não existe mais.

        Sua história será contada? Qual seu papel? Qual o peso de cada ação, de cada escolha… Uma coisa é certa, o destino de toda história é ter um fim. Por sorte, é o narrador, e não os personagens, quem aponta o destino de toda história.

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